sexta-feira, 28 de setembro de 2012

CRIPTA



CRIPTA

É a literatura que poetiza a vida
O mundo fica mais surreal do que deveria
Na fantasia sobrepujamos as dores
Sendo autores de nossa própria estrutura

Nada faz sonhar tanto
Canto que nos faz viajar
Em mil mares a pena se consagra
Herói de mil sagas

Arsene e Odisseu
Sigurd e Orfeu
Chorando a morte de Eurídice
Ou dominando o templo de Zeus

A tudo no transubstancia a letra bem escrita
Livro é leve cripta de evolução mental

AROLDO FILHO

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

MORTE AO ESCORPIÃO

MORTE AO ESCORPIÃO

O poder da inveja não substitui a criação 
O cabo da espada leva paz ao porão 
O portão da guerra está aberto 
Gladiador sem rumo certo mata escorpião 

Não pode ser herói quem não tem coração 
Chantagem e superstição se encerra no maciço 
Cortiço nunca foi mansão 
Viva a serra do Evaristo

Capoeira quilombola 
Minha tribo foi embora 
Qual a sua direção? 
Toda erva daninha deve ser arrancada 

A História errada sempre flutua 
Mas a raiz da verdade continua arraigada 

AROLDO FILHO 
18/09/2012 

CHUVA DE CANIVETE 

Sua cara de susto não me assusta 
Nem choro com suas lágrimas de crocodilo 
Do Brasil ao rio Nilo sempre houve ludibriador 
Mas quem pensa não tem senhor 

E tem horror a quem plagia 
Não me encanta o seu canto de agonia 
A euforia brinda ao seu terror 
O céu não está a seu favor 

Hoje é dia de chover canivete 
No seu riso de pivete jogo sete tempestades 
Sei que a insanidade lhe corrói 
Por que a verdade dói até no couro mais duro 

Mesmo em dia de festa se atesta a ganância 
Ingratidão e arrogância são o seu porto seguro 

AROLDO FILHO 
18/09/2012 

ANTIVÍRUS 

Um antídoto para todo parasita há de ser criado 
Antivírus instalado 
Restaurar sistema 
Da estalagem às galáxias o hidrogênio reverbera 

Poesia é a minha primavera 
O que é vero deve ser cultivado 
Vaidade é um frágil camafeu 
Dilema da mocidade 

O lobo de Loki anuncia o fim do mundo 
Prenúncio no lirismo de Orfeu 
Luta sem troféu não vale o brio da mortalha 
Nem véu da canção mais rara livra do quartel 

A liberdade do poeta mora nos livros 
Lá é que vivo os aforismos de Gardel 

AROLDO FILHO 
18/09/2012 

VAMPIROS DE SOL 

Cuidado com o inimigo à espreita 
De onde menos se espera surge a navalha 
Nem todo aquele à tua direita estará contigo sempre 
A esquerda também é falha 

Vampiros de sol atiram fogo pela boca 
Hoje os lobos usam anzol 
Caçam ao meio-dia 
A luz da lua é mito 

Cada grito e uivo ecoa 
A caça vira algoz 
Com mosquete feroz em punho 
Não há dente que pare a espada 

Nem lã que dê eterno abrigo 
O orgulho ferido fomenta a armada 

AROLDO FILHO 
18/09/2012 

PARASITA 

O deserto do peito é um vácuo necessário 
Chega a ser hilário esse evento rarefeito 
Leito de veludo para espantalho é desperdício 
Atalho para vão sacrifício 

O defeito é ócio do ofício 
Tão arisco o cão que era dócil 
A fera fere a mão do dono 
O abandono tomou seu lugar 

Civilização é uma selva artificial 
Lar também é relva 
Todo mundo quer voar 
O problema é o parasita grudar na asa 

Parada para profilaxia 
Nada de ânsia inesperada 

AROLDO FILHO 
18/09/2012 

ESCURIDÃO ETERNA 

Nas pedras do caminho fiz morada 
Em cada jornada me perdi 
Esqueço a estrada para ver constelações 
Quem conta estrelas nunca estará sozinho 

O universo é linda aquarela 
Orquestra sem maestro nem prima-donna 
A pluma canta à foz da ribalta 
Com sua alta voz soprano 

Chopin ao piano sublima a vida 
Saio da caverna para ver o arrebol 
Mas o nascer do sol também é ilusão 
Que Platão não filosofou 

Com o fatalismo de Nietzsche 
Por mais que clareie, um dia voltaremos à eterna escuridão 

AROLDO FILHO 
18/09/2012

sábado, 1 de setembro de 2012

SÍNTESE DO INEXPLICÁVEL



SÍNTESE DO INEXPLICÁVEL

Teu sorriso ofusca estrelas de hidrogênio
Falta oxigênio nessa natural arritmia
O mundo mudo muda, guria
Tudo vira poesia

Fantasia de um sonho profundo
Brilha o sol de mil sinfonias no abismo do teu olhar
Onde aforismos viram disparates
Onda de encanto sublime disparastes

O céu se perde em tua haste
Teu regaço é laço de arte em maestria
Fulgor, furor e fantasia
Filamentos viram frenesi

O âmago amargo se debate nas sinapses
És síntese do inexplicável

AROLDO FILHO
01/09/2012