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segunda-feira, 5 de março de 2012

E então, por que animais não têm rodas?

220px-Richard_dawkinsA roda é a invenção humana arquetípica, proverbial. Nós não apenas viajamos sobre rodas, são as rodas — perdoe-me — que fazem o mundo girar. Desmonte qualquer máquina de complexidade pouco mais que rudimentar e você achará rodas. Navio e hélices de aeronaves, brocas, tornos mecânicos, rodas de oleiros — nossa tecnologia anda sobre rodas e pararia sem elas.

A roda pode ter sido inventada na Mesopotâmia durante o quarto milênio AC. Nós sabemos que era elusiva o bastante para precisar ser inventada, porque as civilizações do Novo Mundo ainda não a possuíam na época da conquista espanhola. A exceção alegada lá — brinquedos de crianças — parece tão estranha a ponto de levantar suspeitas. Poderia ser uma dessas falsas lendas, como a de que esquimós têm 50 palavras para neve, que se espelham unicamente porque é tão memorável?

Sempre que os humanos têm uma ideia boa, os zoologistas ficaram acostumados a encontrar-la antecipada no reino animal. Por que não a roda?

Morcegos e golfinhos aperfeiçoaram sistemas eco-localização sofisticados milhões de anos antes que os engenheiros humanos nos dessem o sonar e o radar. Cobras têm detectores de calor infravermelhos para sentir a presa, antedatando o míssil Sidewinder. Dois grupos de peixe, um no Novo Mundo e um no Velho, desenvolveram independentemente a bateria elétrica, em alguns casos alcançando correntes fortes o bastante para aturdir um homem, em outros casos usando campos elétricos para navegar por água turva. A lula tem jato-propulsão, permitindo-a romper a superfície a 45mph e disparar pelo ar. Grilos têm o megafone, cavando uma buzina dupla no chão para ampliar sua canção já incrivelmente alta. Castores têm a represa, inundando um lago privado para sua própria conduta segura sobre a água.

Fungos desenvolveram o antibiótico (é claro, eles são de onde nós conseguimos a penicilina). Milhões de anos antes de nossa revolução agrícola, formigas plantaram, capinaram e compostaram jardins de fungo. Outras formigas tendem a ordenham o próprio gado de afídeo delas. A evolução Darwiniana aperfeiçoou a agulha hipodérmica (picada de vespa), o bombeamento com válvula (coração), o arpão (dardo de acasalamento do caracol), a vara de pescar (peixe pescador), a pistola de água (peixes arqueiro apontam jatos de água para desalojar insetos de árvores acima), a lente de foco automática, o fotômetro, o termostato, a dobradiça, o relógio e o calendário. Por que não a roda?

Agora, é possível que a roda pareça assim maravilhosa para nós só por contraste com nossas pernas indistintas. Antes de nós termos máquinas dirigidas por combustíveis (energia solar fossilizada), nós éramos ultrapassados facilmente pelas pernas de animais. Não é surpresa que Richard III ofereceu o reino dele por transporte de quatro patas. Nós também revelamos sermos pobres contra corredores de duas pernas, na forma de avestruzes e cangurus.

Talvez a maioria dos animais não se beneficiaria de rodas porque eles podem correr tão rápido com pernas. Afinal de contas, até muito recentemente todos nossos veículos com rodas foram puxados por força de pernas.

Nós desenvolvemos a roda, não para ir mais rápido que um cavalo, mas para permitir a um cavalo nos transportar a seu próprio passo — ou um pouco menos. A um cavalo, uma roda é algo que reduz a velocidade.

Aqui está outro modo no qual nós arriscamos sobre-estimar a roda. Ela é dependente para eficiência máxima em uma invenção anterior — a estrada, ou outra superfície lisa, dura. Um motor poderoso permite a um veículo superar um cavalo ou um cachorro ou uma chita em uma estrada dura, plana ou trilhos de ferro lisos. Mas faça a corrida sobre o interior selvagem ou campos arados, talvez com cercas vivas ou fossos no caminho, e é uma derrota: o cavalo deixará o carro bem atrás. Tamanho por tamanho, uma aranha correndo é certamente mais rápida que qualquer veículo com rodas.

Bem então, talvez nós deveríamos mudar nossa pergunta. Por que animais não desenvolveram a estrada? Não há nenhuma grande dificuldade técnica. A estrada deveria ser brincadeira de criança comparada com a represa do castor ou a arena ornamentada da ave-do-paraíso [bowerbird]. Há até algumas vespas cavadoras que até mesmo socam a terra com força, apanhando uma ferramenta de pedra para fazer isso. Presumivelmente estas habilidades poderiam ser usadas por animais maiores para aplainar uma estrada.

Agora nós chegamos a um problema inesperado. Até mesmo se a construção de estrada for tecnicamente possível, é uma atividade perigosamente altruística. Se eu como um indivíduo construo uma estrada boa de A a B, você pode se beneficiar disto exatamente da mesma maneira que eu. Por que isto deveria importar? Isto levanta um dos aspectos mais tantalizantes e surpreendentes de todo o Darwinismo, o aspecto que inspirou meu primeiro livro, O Gene Egoísta. O Darwinismo é um jogo egoísta. Construir uma estrada que poderia ajudar outros será penalizado através da seleção natural. Um indivíduo rival se beneficia de minha estrada, mas ele não paga o custo de construí-la.

A seleção Darwiniana vai favorecer a construção de estrada apenas se o construtor se beneficiar da estrada mais que os rivais dele. Parasitas egoístas que usam sua estrada e não se aborrecem em construir a deles mesmos estarão livres para concentrar sua energia em procriar mais que você. A menos que sejam tomadas medidas especiais, tendências genéticas para exploração preguiçosa, egoísta, prosperarão às custas de construção de estrada laboriosa. O fim será que nenhuma estrada é construída. Com o benefício de previsão, nós podemos ver que todo o mundo será prejudicado. Porém, a seleção natural, diferente de nós humanos com nossos cérebros grandes, recentemente evoluídos, não tem nenhuma previsão.

O que é tão especial sobre humanos que nós conseguimos superar nossos instintos anti-sociais e construirmos estradas que todos nós compartilhamos? Nós temos governos, tributação policiada, trabalhos públicos para os quais todos nós subscrevemos quer gostemos ou não. O homem que escreveu, “Senhor, Você é muito gentil, mas eu penso que preferiria não me juntar a seu esquema de imposto de renda”, ouviu novamente, nós podemos estar seguros, da Receita Federal. Infelizmente, nenhuma outra espécie inventou o imposto. Porém, eles inventaram a cerca (virtual). Um indivíduo pode afiançar o benefício exclusivo dele de um recurso se ele defender isto ativamente contra rivais.
Muitas espécies de animal são territoriais, não só pássaros e mamíferos, mas peixes e insetos também. Eles defendem uma área contra rivais das mesmas espécies, frequentemente para isolar um chão de alimentação privado, ou um pavilhão de namoro privado ou área de aninhamento. Um animal com um território grande poderia se beneficiar em construir uma rede de estradas boas, planas pelo território do qual foram excluídos os rivais.

Isto não é impossível, mas tais estradas animais seriam muito locais para viagens de longa distância, a alta velocidade. Estradas de qualquer qualidade seriam limitadas à área pequena que um indivíduo pode defender contra rivais genéticos. Não é um começo muito bom para a evolução da roda.

Agora eu tenho que mencionar que há uma exceção esclarecedora à minha premissa. Algumas criaturas muito pequenas evoluíram a roda no senso mais exato da palavra. Um dos primeiros dispositivos de locomoção já evoluído pode ter sido a roda, dado que para a maior parte de seus primeiros dois bilhões anos, a vida consistiu de nada mais que bactérias. Até hoje, não apenas a maioria dos organismos individuais são bactérias, mas até mesmo nossas células bacterianas pessoais excedem largamente em número nossas “próprias” células.

Muitas bactérias ainda estão usando hélices espirais parecidas com linhas, cada uma movida continuamente por seu próprio eixo de hélice giratório. Pensava-se que estes “flagelos” fossem abanados como rabos, a aparência de rotação espiral resultando de uma onda de movimento passando ao longo do comprimento do flagelo, como o ziguezaguear de uma cobra. A verdade é muito mais notável. O flagelo bacteriano é preso a um eixo que é movido por um motor molecular minúsculo e gira livremente e indefinidamente em um buraco que traspassa a parede célula.

O fato de que só criaturas muito pequenas evoluíram a roda sugere o que pode ser a razão mais plausível por que criaturas maiores não a têm. É uma razão bastante mundana, prática, mas nem por isso é menos importante. Uma criatura grande precisaria de rodas grandes que, diferentes das rodas artificiais, teriam que crescer in situ em lugar de serem formadas separadamente no exterior de materiais mortos e então montada. Para um órgão grande, vivo, o crescimento in situ exige sangue ou seu equivalente. O problema de prover um órgão livremente giratório com vasos sanguíneos, para não mencionar nervos, que não se enrosquem em nós é muito vívido para precisar ser descrito em detalhe.

Engenheiros humanos poderiam sugerir passar tubos concêntricos para levar sangue pelo meio do eixo no meio da roda. Mas como teriam se parecido os intermediários evolutivos? A melhoria evolutiva é como escalar uma montanha (o Monte Improvável). Você não pode pular do fundo de um precipício ao topo em um único pulo. Mudança precipitada súbita é uma opção para engenheiros, mas na natureza selvagem o ápice do Monte Improvável só pode ser alcançado se uma rampa ascendente gradual puder ser encontrada de um determinado ponto de partida.

A roda pode ser um desses casos onde a solução de engenharia pode ser vista claramente, sendo contudo inacessível em evolução porque reside no outro lado de um vale profundo, cortando sem possibilidade de construção de uma ponte pelo imenso do Monte Improvável.

Por Richard Dawkins, publicado no The Sunday Times em Nov/96

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ateísmo: A Breve História da Descrença

Documentário dividido em 3 episódios produzido pela BBC, escrito e apresentado por Jonathan Miller. Nessa série ele nos mostra os primeiros ateus e pensadores, que mesmo muitos pagando com suas próprias vidas, ousaram não acreditar em deus e dizer por quê. O que esses brilhantes e corajosos descrentes enfrentaram não foi à ira divina, mas sim os imperadores, reis, ditadores, líderes religiosos e suas igrejas, que temiam suas ideias, pois elas poderiam ser perigosas, para eles se manterem no poder. Atualmente em países democráticos as pessoas podem manifestar suas opiniões céticas a respeito de mitos, lendas e histórias sobrenaturais como as religiosas, sem sentirem as chamas ardentes da inquisição…

Mas essas ideias libertadoras podem continuar sendo perigosas para os que ainda tiram proveito das crenças alheias, para os fanáticos religiosos, ou os que acreditam por inércia e cultura. Em pleno século 21 temos que enfrentar as consequências da Fé religiosa, e garantir que a liberdade, avanços, direitos e conquistas que todos desfrutamos na democracia secular, não nos sejam negados como no passado de ignorância, onde: “A voz de deus é que era obrigatoriamente a voz do povo”. Agora quem decide são os cidadãos, os eleitores e não os porta-vozes divinos. Toda essa interessante historia da descrença é analisada e mostrada por Jonathan Miller e seus entrevistados, nessa série excepcional e singular de documentários.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Richard Dawkins - Inimigos Da Razão

O cientista britânico Richard Dawkins não se deu por satisfeito em vender mais de 1 milhão de exemplares de um livro contra a crença em seres divinos, com sua obra "Deus -- um Delírio" promovida a best-seller em vários países e recém-lançada no Brasil pela editora Companhia das Letras (inclusive foi feito um documentário televisivo a respeito). Ele agora aponta sua artilharia contra o que considera superstições e pseudo-ciência: de astrologia a mediunidade, de homeopatia a cartas tarot. O conceituado biólogo da Universidade de Oxford começou um esforço (que muitos acham inútil) de desmontar as crenças e superstições que ele considera totalmente desprovidas de fundamento e provas, mas que convencem o público em vários países.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Entrevista de Richard Dawkins a revista Época

rd

 

26-epocaDesde que Deus – Um Delírio foi publicado, o senhor tem feito uma turnê mundial para disseminar a palavra contra a religião e a favor do ateísmo. O senhor acredita que tem tido sucesso em sua missão?

 

r_dawkinsEu acho que tenho sido consideravelmente bem-sucedido. Se você olhar em meu website, vai ver que ele reflete uma grande dose de entusiasmo por minha mensagem.

 

 

26-epocaMas o senhor tem conseguido atingir o público que necessita ser atingido? As pessoas que acreditam em Deus?

 

 

r_dawkinsSobre isso já não tenho certeza. Sei que conseguimos fazer conversões. Por exemplo, ontem à noite em Chicago, havia uma quantidade significativa de pessoas na fila de autógrafos de meu livro que disseram que ele as ajudou a firmar suas opiniões a respeito de religião. O website e o livro estão atingindo principalmente as que estão indecisas e precisam de um pouco de encorajamento.

 

26-epocaCom base no que o senhor tem visto em suas viagens, qual é a melhor maneira de motivar os ateus em potencial a assumir sua descrença em Deus?

 

 

r_dawkinsEu acredito que, quando vêem que há argumentos fortes em seu favor, e que outras pessoas estão saindo do armário, eles se sentem mais confiantes. Por exemplo, quando notam em minhas palestras que uma grande quantidade de gente está defendendo suas opiniões, ganham coragem para se revelar também.

 

26-epocaO senhor vem dizendo que, se os ateus se organizassem politicamente, eles poderiam exercer grande influência em um país como os Estados Unidos. O senhor acredita que isso um dia poderá acontecer?

 

r_dawkinsSim, acho que sim. Tome como exemplo o movimento judaico, que é imensamente influente nos Estados Unidos. Existem menos judeus praticantes que ateus na América. Então, se você considerar o poder do lobby judaico, terá um forte argumento a favor da organização dos ateus.

 

26-epocaPor outro lado, acreditar em Deus parece algo mais poderoso em termos de unir as pessoas em torno de um objetivo. Pelo menos mais poderoso que a idéia de não acreditar em nada, que é o que as pessoas em geral relacionam com o ateísmo.

 

r_dawkinsEsta é uma boa observação. Mas, quando você vive em um país em que o governo diz tomar decisões com base na religião, você tem um motivo forte para fazer alguma coisa a respeito.

 

 

26-epocaQuais são os principais obstáculos para disseminar suas idéias?
Dawkins

 

 

r_dawkinsHá vários. Alguns temem desagradar a Deus só de ouvir o discurso de um ateu. Outros são apenas ignorantes, nunca ouviram uma boa argumentação científica. E também há o medo da reação da família e dos vizinhos. As pessoas precisam freqüentar a igreja de sua comunidade porque os pais, os avós, ou até mesmo o marido ou a mulher, são religiosos. Daí elas não querem decepcionar nem irritar gente tão próxima assim. Mas boa parte da resistência se deve à ignorância. No sentido de que muitas pessoas não entendem que a ciência não tem de dar uma explicação imediata para tudo o que hoje elas atribuem a Deus.

 

26-epocaSe isso acontece em um país onde os níveis educacionais são razoavelmente altos, como os Estados Unidos, a situação deve ser pior em outros países...

 

 

r_dawkinsVocê imaginaria isso, não é verdade? Entretanto, o fato é que os Estados Unidos têm uma proporção muito mais alta de pessoas que não acreditam na evolução das espécies do que em qualquer país europeu, por exemplo. A única exceção é a Turquia.

 

 

26-epocaO senhor tem planos para levar sua mensagem a países em desenvolvimento onde a religião ocupa um lugar de destaque na sociedade, como o Brasil?

 

 

r_dawkinsJá tive vários convites para fazer palestras no Brasil, o que me deixa contente. Mas não tenho planos imediatos de ir para lá.

 

 

 

26-epocaO senhor acredita que suas idéias teriam impacto em um país como o Brasil?

 

 

r_dawkinsBom, eu acho importante levar essa mensagem para todas as partes do mundo. Espero que um dia seja possível comprovar isso.

 

 

 

26-epocaNo Brasil as pessoas em geral têm uma relação menos radical com a religião que nos Estados Unidos. Mesmo assim, o senhor acha que os ateus brasileiros também deveriam se esforçar em combater a religião?

 

r_dawkinsNão conheço o Brasil, mas o que você está dizendo soa encorajador. Talvez haja uma necessidade menor de combater a religião lá que em outros lugares.

 

 

26-epocaSeu livro afirma que o acesso à educação e à informação é um remédio eficiente contra as superstições e a favor da ciência. Hoje há cada vez mais educação no mundo, e a internet oferece mais informação que nunca. O senhor acredita que o fim da religião seria uma conseqüência lógica do processo de expansão do conhecimento?

 

r_dawkinsGostaria de acreditar que você está certo, e quem sabe esteja. Essa é a atitude de muitos de meus colegas cientistas. Mas considero essa visão um pouco otimista. Em um país como os EUA, onde a religião é tão forte, acredito que é preciso algo mais que simplesmente educar as pessoas a respeito da ciência. É o que estou fazendo.

 

26-epocaSeu livro de certo modo também deixa a impressão de que a ciência traz muitas coisas boas para a humanidade, enquanto a religião promove resultados negativos. Mas a ciência nos deu a bomba atômica e inspirou teorias malucas como a eugenia.

 

r_dawkinsA ciência pode ser usada na produção de coisas ruins como a bomba atômica, mas por si mesma não leva a ações malignas. Entretanto, fazer coisas horríveis é uma parte lógica do processo de acreditar em Deus. Os 19 homens que perpetraram os ataques de 11 de setembro de 2001, por exemplo, talvez não fossem naturalmente malignos. Mas eram profundamente religiosos. Eles achavam que o que estavam fazendo era correto segundo o que acreditavam. E chegaram a essa conclusão de uma forma lógica a partir de seus textos religiosos. Para um ateu, seria impossível realizar um ato similar a partir de uma racionalização lógica.

 

Revista Época                                                   Edição 493 de 26 de setembro de 2007

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Os Quatro Cavaleiros do Ateísmo - O Debate LEGENDADO

Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris e Christopher Hitchens - Juntos sem moderação, os quatro gigantes do Ateísmo e do Pensamento Livre conversam sobre Ciências, Deus, Religião etc.
Gravado em 30 de setembro de 2007
Todos os quatro autores têm recebido recentemente uma grande quantidade de atenção da mídia para seus escritos contra a religião - algumas positivas e outras negativas. Nessa conversa eles contam histórias sobre a reação do público aos seus livros, os sucessos inesperados, críticas e deturpações comuns. Eles discutem as perguntas difíceis sobre a religião que enfrentam o mundo hoje, e propõem novas estratégias para o futuro.
O vídeo está completo {quase duas horas} e todo legendado
Créditos pela tradução para o português feita por: Dimas Luz
Titulo original: Discussions with Richard Dawkins, Episode 1: The Four Horsemen - 2008
 

Links para download, baixar vídeo e legenda
vídeo:

http://www.megaupload.com/?d=DWC3PLH2

legenda
http://www.4shared.com/document/jINuDhZV/TheFourHorsemenDVDRipXviD.html

Mais opções e informações: http://goo.gl/v8ghJ

Critica: Marcelo Esteves
http://metropolis.livrespensadores.org/

Assitir os quatro cavaleiros do ateísmo em um bate-papo (quase) informal é um privilégio para poucos. Neste vídeo, Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Sam Harris e Daniel Dennett conversam sobre ateísmo, religião, militância, crítica e sobre o papel que eles próprios desempenham neste início de século.
O bate-papo aconteceu em 30 de setembro de 2007, seis anos após a destruição das torres gêmeas do World Trade Center, episódio decisivo para a entrada em cena do quarteto, marco inaugural do que passou a ser conhecido como neoateísmo.
A afinidade entre eles é obvia, mas é curioso notar, também, as diferentes visões e posturas em relação aos temas discutidos. Dawkins e seu antiteísmo militante; Hitchens e sua análise política cortante; Harris e sua proposta de uma espritualidade ateísta e Dennet, com seu temperamento conciliador.
O vídeo é relativamente longo, praticamente duas horas de duração. Mas se o leitor deseja conhecer os ícones do ateísmo moderno para além de suas obras, assistí-lo é indispensável.
Alguns Livros:
Deus, um Delírio - Richard Dawkins
Carta A Uma Nação Cristã - Sam Harris
Deus não é Grande - Christopher Hitchens
Quebrando o Encanto: A Religião Como Fenômeno Natural - Daniel Dennett
Produzido pela Fundação Richard Dawkins para a Ciência e a Razão (RDFRS) filmado por Josh Timonen. O DVD original, sem legenda, está disponível para compra no site http://RichardDawkins.net

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Entrevista Richard Dawkins a revista Veja

O apóstolo de Darwin

O biólogo britânico Richard Dawkins
defende que a ciência é melhor que a religião

Richard_Dawkins_by_bronze_dragonriderNascido em 1941, no Quênia, em meio a uma das mais belas paisagens do planeta, o biólogo britânico Richard Dawkins passou boa parte da infância e da adolescência alheio aos encantos da natureza. Filho de um botânico formado em Oxford, ele não tinha paciência para observar plantas ou caçar borboletas. Era um jovem filosofante, fascinado por questões do tipo "de onde viemos?" As primeiras respostas ele foi buscar na religião. Aos 16 anos, porém, encontrou uma explicação alternativa, que abraçou para nunca mais abandonar. A explicação vinha de Charles Darwin, com sua famosa teoria da evolução. Ele, então, adotou como bíblia o livro escrito em 1859 pelo cientista inglês, A Origem das Espécies.

Com o passar dos anos, Dawkins assumiu na comunidade científica internacional o papel de uma espécie de apóstolo do darwinismo, cujas verdades ele não se cansa de defender, refinar e divulgar. Seu primeiro livro, O Gene Egoísta, foi lançado em 1976. Em estilo vigoroso, Dawkins expunha teses polêmicas. "Somos máquinas de sobrevivência", escrevia ele. "Veículos-robôs programados cegamente para preservar as moléculas egoístas conhecidas como genes." A obra vendeu milhares de cópias no mundo inteiro. Ganhou inimigos entre os religiosos e também no meio científico. Muitos o chamavam de reducionista — um homem para quem tudo na vida se resume a cadeias de DNA. O tempo fez com que seus pares reconhecessem nele um pensador arguto e, sobretudo, capaz de trocar em miúdos os argumentos mais complicados. Em 1995, Dawkins foi eleito, em Oxford, para a primeira cátedra de compreensão pública da ciência.

Depois de O Gene Egoísta, o autor publicou mais quatro livros. O mais recente sea-escalada chama A Escalada do Monte Improvável (Companhia das Letras; tradução de Suzana Sturlini Couto; 372 páginas; 27,50 reais). A obra tem dois objetivos. O primeiro é demolir o criacionismo (teoria segundo a qual os seres vivos foram criados por Deus a partir do nada). O segundo, mostrar como a evolução das espécies, por meio da seleção natural, é um processo gradual e incontestável. Virtuose do texto, Dawkins alterna capítulos de argumentação com trechos narrativos. Teorias complicadas viram tramas bem urdidas. Na melhor passagem, o autor enfoca a relação entre figos e vespas, cujas existências estão interligadas de maneira espetacularmente sutil e intricada. Essa estranha relação, diz Dawkins, não decorre de algum secreto desígnio divino, mas de um "ajuste fino darwiniano" demonstrável e crível. É difícil ficar imune à argumentação rigorosa de Dawkins (veja entrevista abaixo). Mais ainda porque toda a sua lógica e ciência vêm apoiadas em linguagem saborosa.

 

"A função da vida é garantir o DNA"

Em entrevista a VEJA, o biólogo britânico Richard Dawkins explica a sua apaixonada fé no darwinismo:

VejqVeja O senhor é ateu. Por que Deus não existe?

 

dawkinsnett — A religião é uma espécie de "teoria" sobre a existência do cosmos e da vida. Seus seguidores buscam explicação plausível para o fato de coisas tão complexas como os organismos vivos terem surgido um dia. O que ela oferece é a tese de que, homens ou vírus, todos têm um "desenho divino" que os constitui. Ora, o darwinismo é uma alternativa para a religião. Só que infinitamente mais elegante.

Vejq  Por quê?

 

dawkinsnett — O darwinismo lhe pede para pressupor apenas dois fatos: a hereditariedade e a seleção natural. Ou seja, você deve primeiro aceitar que genes são transmitidos de geração para geração. Depois, que os "bons" genes, que definem características vantajosas, continuarão sendo transmitidos para mais e mais descendentes, enquanto os genes "ruins" acabarão sendo filtrados. Partindo dessas duas idéias demonstráveis, o darwinismo prova como estruturas tão "improváveis", tão complicadas de imaginar como um olho, por exemplo, se desenvolveram na natureza. Em contrapartida, a religião lhe pede para acreditar numa entidade que, num único gesto, sacou do vácuo organismos complexos. Ora, a existência de um projetista tão formidável é também muito estranha. Também requer uma explicação. Ou seja, a religião nos explica uma coisa complexa, a vida, com outra coisa complexa, Deus. Se levamos a razão a sério, temos de concordar que Darwin é mais simples e poderoso.

Vejq  Sem Deus, qual o propósito da vida?

 

dawkinsnett — A idéia de "propósito da vida" perde sentido com o darwinismo. Mas acho que se pode falar de uma "função útil" da vida dos seres individuais. E essa função, sem rodeios, é garantir a sobrevivência de DNA. As pessoas têm dificuldade em imaginar um mundo assim, guiado apenas pelo imperativo de replicação de cargas genéticas. Mas é isso, basta refletir a respeito. Suponha, por exemplo, que daqui a alguns séculos um arqueólogo encontre o "fóssil" de uma motocicleta. Talvez ele não entenda o objeto imediatamente e se pergunte para que ele servia. Aos poucos, poderá deduzir a função de cada parte da moto e, finalmente, a função da máquina como um todo. O mesmo se aplica aos seres vivos. Você olha para a asa de um pássaro e não sabe para que serve. Depois, nota que sua função é servir ao vôo. Se refinar sua análise, perceberá que a função do vôo é permitir a alimentação. Por fim, notará que a função de todas as funções é levar à reprodução. É fazer com que o pássaro transmita para gerações futuras os genes que o "construíram". A utilidade dos organismos é, assim, muito estreita: maximizar a sobrevivência de genes.

Vejq  A religião oferece consolo. E o darwinismo?

 

dawkinsnett— Encontro grande consolo na beleza da vida. E o conhecimento, por si só, vale a pena.